Instrucional que não se esforça para transmitir não vende
Faz muitos anos que eu assisto instrucionais de jiu-jitsu brasileiro e grappling.
Claro que não vi tudo o que existe. Mas eu também filmo instrucionais, monto os pacotes e vendo, então já vi muita coisa.
E daqui de onde eu estou, o mercado de instrucionais de jiu-jitsu e grappling hoje está completamente saturado.

01 Tem instrucional para todo lado
A quantidade é enorme.
Comparado com 10 ou 20 anos atrás, o número de atletas e professores no mundo todo vendendo vídeo não tem nem comparação.
Mas por trás disso existe uma cultura própria do jiu-jitsu.
O jiu-jitsu e o grappling evoluíram junto com os vídeos de luta e os instrucionais.
Você vê a técnica de alguém em vídeo.
Copia.
Treina.
Coloca no seu jogo.
Na verdade, não existem tantos esportes em que aprender técnica por vídeo seja tão normal assim.
02 O que me surpreendeu na patinação
Minha filha faz aula de patinação artística, e foi lá que eu me surpreendi, ao contrário.
Para aprender um elemento novo, basicamente você precisa aprender direto com o professor.
Faz uma aula particular e aprende ali.
E quando você quer revisar sozinho, existe vídeo? Surpreendentemente, quase nada.
A escola do rinque não oferece material.
O professor também não organiza vídeos.
Então você acaba procurando vídeos de fora e treinando enquanto pensa: "O nome é um pouco diferente, mas será que é esse?"
Ou seja, só chegar até a informação ainda é uma barreira grande.
Acho que isso não vale só para a patinação. Deve haver muitas atividades e esportes em que dá para evoluir mais assistindo vídeo.
Nesse ponto, o jiu-jitsu está bem na frente.
Ficar mais forte assistindo vídeo. No jiu-jitsu, isso já é senso comum.
03 O que faz a diferença é o cuidado
E é justamente por isso que agora surgiu o próximo problema.
Com tanto material disponível, a qualidade que quem assiste espera ficou muito alta.
Então, como garantir essa qualidade?
No fim, eu acho que é o cuidado de quem faz.
"Cuidado" pode soar como papo motivacional. Mas o que eu quero dizer é bem concreto.
"Eu sei fazer essa técnica, então se eu mostrar, vão entender."
"Eu expliquei, então passou."
Ainda tem muito instrucional feito assim.
04 Dos 100 na sua cabeça, chegam 50
Já filmei muitos instrucionais. Se o professor tem 100 na cabeça e só fala normalmente, acho que chegam ao espectador uns 50, no máximo.
Porque saber uma técnica e conseguir transmitir uma técnica são habilidades diferentes.
- Que palavras usar para explicar?
- O que explicar primeiro, e em que ordem?
- De que ângulo filmar?
- Dá para ver mesmo os detalhes das mãos e dos pés?
- O áudio está fácil de ouvir?
- Vai ter legenda?
- Vai traduzir para outros idiomas?
- Vai ter dublagem, se precisar?
- Vai mostrar de novo, de outro ângulo, a parte que ninguém entende?
Hoje dá para melhorar a qualidade de um instrucional por todos esses lados.
E mesmo assim, não fazem esse esforço. Acho isso um desperdício enorme.
05 Não dependa do esforço de quem assiste
Antigamente, isso ainda funcionava.
Na época em que instrucional em DVD era raro, mesmo que fosse meio difícil de ver, mesmo que faltasse explicação, era o que tinha.
Quem assistia completava sozinho: "Deve ser isso." "Aqui deve querer dizer aquilo."
Claro, essa tentativa e erro também pode fazer parte do aprendizado.
Mas hoje é diferente.
Numa época com instrucional sem fim, não dá para depender do esforço de quem assiste.
É isso que eu mais quero dizer desta vez.
Faça o esforço de transmitir.
Você tem conceitos ótimos de jiu-jitsu e grappling. Até onde você se esforça para transmiti-los às pessoas?
Colocar uma câmera fixa e passar a aula normal do jeito que é. Acho que existe alguma demanda para isso.
Mas é claro que tem gente que assiste e pensa: "Que longo." "Difícil de entender." "Que chato."
Então quem faz deveria pensar: "Como fazer as ideias dessa pessoa chegarem do melhor jeito?"
06 Tirar o que está na cabeça
Quando eu filmo instrucionais, falo coisas assim várias vezes:
"Pode repetir essa parte?"
"Aí a mão fica escondida, não dá para ver."
"Por que você faz esse movimento agora?"
"Então, o que você quer dizer é isso?"
Tirar o que está na cabeça de quem ensina e dar uma forma que chegue a quem assiste. Para mim, esse é o trabalho do câmera e do diretor.
E quem filma e vende sozinho também pode ter essa mesma mentalidade.
O Ichiro Kaneko, com quem eu filmo muito, é incrivelmente bom em transmitir.
Antes de eu pensar "isso não dá para ver", ele já se mexeu para ficar visível.
Onde ele acha que "isso pode ser difícil para quem vê pela primeira vez", ele explica quantas vezes forem necessárias.
07 "No instrucional, é melhor afirmar"
E tem uma ideia que ouvi do Kaneko e que me marcou muito.
É esta: "No instrucional, é melhor falar de forma afirmativa."
Técnica, na verdade, nunca é absoluta.
O corpo é diferente.
O oponente é diferente.
A situação é diferente.
Por isso, quem está ensinando tem vontade de dizer:
"Depende do caso, mas…"
"Não é absoluto, mas…"
"Desse jeito também funciona, mas…"
Só que, se você explica tudo isso de uma vez, quem vê pela primeira vez não sabe em que acreditar.
Então, primeiro, você afirma: "Comece fazendo assim."
Claro, isso não quer dizer que seja a única resposta certa do mundo.
Você dá a quem aprende uma linha clara para seguir. Primeiro, deixa assentar. Depois, a pessoa entende as exceções e as variações.
Essa ideia me ensinou muito enquanto eu continuava fazendo instrucionais.
08 Um parêntese: na aula é igual
Isso não vale só para instrucional em vídeo.
Vale exatamente o mesmo para o jeito de ensinar nas aulas do dia a dia.
Tem academia que ensina seguindo um currículo definido, e tem o estilo em que o professor do dia decide "hoje vou ensinar isto" e monta a aula na hora.
Eu já vi muitos professores diferentes dando aula.
E teve um caso em que senti: "isso está um pouco difícil de acompanhar".
A explicação pula de um assunto para outro.
Por exemplo, no meio de uma técnica ou de um conceito, o professor desvia: "Só que também tem este caso…"
E dali vai para outro assunto de novo: "Mas se o oponente fizer isso…"
Claro, na cabeça do professor está tudo ligado. Justamente por saber muito, as ideias relacionadas vão surgindo uma atrás da outra.
Mas para o aluno não é assim.
Quando aprende uma técnica, o aluno quer primeiro entender uma forma completa: "Ah, essa técnica é assim."
Se a explicação se ramifica várias vezes e nunca volta ao ponto de partida, no fim ele não sabe o que precisa guardar.
O mesmo vale para explicação longa demais. Muita informação e transmitir são coisas diferentes.
No começo, é melhor traçar uma linha só: "Hoje, primeiro aprendam isto."
Primeiro, fazer entender uma coisa.
Fechar o assunto ali, uma vez.
Depois disso, é só ir acrescentando os galhos: "Aliás, se o oponente fizer isso, fica assim."
Isso se liga direto ao que escrevi acima sobre afirmar.
Quem ensina sabe muito: conhece as exceções, as outras respostas, e sabe que a resposta muda conforme a situação. Por isso quer explicar tudo.
Mas quem aprende não precisa do quadro completo logo de cara.
Primeiro, um caminho. Depois de entender esse, aí você mostra o segundo e o terceiro.
Vale para o instrucional em vídeo e vale para a aula do dia a dia.
Não é falar tudo o que você sabe, e sim entregar numa ordem que o outro consiga entender.
Acho que isso também faz parte do esforço de transmitir.
09 Onde a diferença aparece no fim
A época em que havia poucos instrucionais acabou.
Hoje, só saber boas técnicas não basta. Só ser um atleta forte também não basta.
"Como dar a essa técnica incrível a forma que chega melhor às pessoas?"
Pensar até aí é o trabalho de quem faz o instrucional.
Filmagem, explicação, edição, legendas, tradução, dublagem. Tudo isso é um meio para transmitir.
E não economizar em nenhum desses pequenos passos a mais. É isso que eu chamo de cuidado de quem faz.
Justamente agora, com instrucional para todo lado, é aí que a diferença aparece no fim.
Instrucional que não se esforça para transmitir não tem como vender.
Se você é atleta ou professor e quer que seus instrucionais cheguem de verdade às pessoas, com legenda, tradução e dublagem, venha conversar com a gente.
Sou japonês, mas por escrito o inglês não é problema para mim. No chat eu sou muito rápido. WhatsApp ou qualquer outro serve. Falando, eu sou um pouco lento.
CEO da SubPro
Hiromichi Fujiwara
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